Miranda da Corvo

A primeira referência a Miranda do Corvo num documento data de finais de século X, embora as evidências arqueológicas apontem para uma ocupação muito anterior. O documento em causa terá sido redigido no Mosteiro de Lorvão, em 998, e atesta a existência de uma estrutura militar em Miranda do Corvo, ao fazer referência a uma torre.
Sabe-se hoje que houve ocupação em Vila Nova na época pré-história e em Chão de Lamas na proto-história. As recentes escavações arqueológicas no casal romano da Eira Velha, em Lamas, trouxeram à luz do dia os vestígios de uma comunidade do tipo casal agrícola, intimamente ligado aos grandes eixos viários da época romana.
A ocupação mais antiga identificada durante os trabalhos arqueológicos realizados no Alto do Calvário aponta para a Idade Média e trata-se da necrópole de sepulturas escavadas na rocha.O resultado dos trabalhos arqueológicos colocaram a descoberto:

·              - Uma estrutura pétrea, de finais da Idade Média, que assegurava o acesso à torre;

·              - Um derrube composto por silhares de grandes dimensões, datável do século XVII, que correspondia a parte da muralha do castelo;

·              - Uma necrópole de sepulturas escavadas na rocha, anterior ao século XII;

·      A existência na zona Oeste do cabeço, no largo do Calvário, próximo das escadas que nos levam ao Cristo Rei, de duas sepulturas nas quais os indivíduos foram enterrados “de acordo com a tradição islâmica, em decúbito lateral direito, a olhar para Este”, ainda não datáveis.
Através destes vestígios, consegue-se hoje corroborar que este espaço é utilizado há pelo menos 900 anos como necrópole, senão mais.
O povoado de Miranda do Corvo terá surgido em torno do castelo. Daqui era possível vigiar e defender duas importantes vias de comunicação: a antiga via romana que passava por Corvo e ligava Sellium (Tomar) a Aeminium (Coimbra) e a via que ligava o interior da Península ao Ocidente, a via Colimbriana. Provirá desta função de vigilância o nome de Miranda, do latim mirandus (atalaia)?
Sobranceira à vila, esta atalaia assentava no alto de um cabeço, sendo provável que a povoação se tenha desenvolvido em torno do actual Alto do Calvário. Apesar da sua importância na linha defensiva do Mondego, durante e após a ‘Reconquista’ da cidade de Coimbra, são escassas as informações sobre a sua história.
Sabemos que ano de  1116, a região foi severamente atacada durante uma expedição almorávida, sendo apenas travada às portas de Coimbra. O castelo de Miranda do Corvo terá sido destruído, existindo relato do século XII, do seu cerco e conquista, da forte destruição, do elevado número de mortes e dos prisioneiros realizados.
O castelo terá permanecido em ruína, não se conhecendo a exacta data da sua reconstrução. Em 1136 os habitantes de Miranda receberam foral de D. Afonso Henriques, o qual foi depois confirmado por D. Afonso II.
Em 1383, existe referência ao facto de João Afonso Teles ter aberto as portas a D. João I de Castela quando este seguia para Lisboa para contestar o Mestre de Aviz.
Ao longo dos séculos a construção foi-se arruinando. O Livro das Posturas da Câmara Municipal de Miranda do Corvo refere a existência de um aluimento do que restava do castelo, em Maio de 1799. Deste ano, data ainda a publicação de posturas sobre o roubo das pedras através das quais o município proíbe a população de retirar pedras para construção própria. Muitas destas pedras foram utilizadas nas obras de renovação da Ponte do Corvo, sobre a ribeira do Alhêda, obra que se iniciou nesta data.
A terceira invasão francesa trouxe novamente ao concelho algum protagonismo pela sua localização na linha estratégica de movimento dos exércitos. Parte do combate de Casal Novo, que decorreu na madrugada de 14 de Março de 1811, deu-se na freguesia de Lamas. As consequências da guerra fizeram-se sentir no concelho de forma muito significativa, com a carestia de géneros, a destruição e os campos estéreis, em parte devido à política de terra queimada, e pela grande epidemia que assolou as freguesias durante os meses seguintes.
O concelho abrangia então vasta área, que ia quase do Ceira, perto de Coimbra, até à ribeira de Alie, a sul das serras, compreendendo aproximadamente as actuais freguesias de Miranda, Lamas, Vila Nova e Campelo, que passou para Figueiró dos Vinhos, nos começos do regime liberal.
O centro histórico de Miranda do Corvo é um núcleo coeso que mantém a sua coerência enquanto coração vibrante a partir do qual se desenvolveu a vila.
O velho casario, apesar de ter sofrido às agruras do tempo, mantém a sua integridade, resistindo assim às agressões da vida moderna.
Relacionando-se com o rio e a encosta, as construções foram surgindo viradas para o sol e encaminhando-nos para o topo coroado pela Igreja Matriz, Torre e Cristo-Rei, onde outrora pontuava o castelo.
Por estas ruas empedradas, descobrimos o prazer de percorrer velhos recantos, descobrindo segredos escondidos nas antigas paredes. A frescura destas vielas é complementada pela aragem que corre a partir da ribeira, que no ponto mais baixo da encosta parece proteger um jardim de francas sombras, que convida ao descanso e contemplação.
Miranda do Corvo é um dos 5 concelhos abrangidos pela Serra da Lousã.
Esta serra, caracteriza-se por uma enorme riqueza dos seus espaços naturais, ainda pouco sujeitos à agressividade de intervenções humanas. A diversidade de paisagens é imensa, e este território situado entre dois rios – o Ceira e o Zêzere – é o ponto de encontro da vegetação Atlântica e da tipicamente Mediterrânica, encontrando-se com facilidade o Azevinho, o Azereiro, a Azinheira ou o Sobreiro.
As diferenças de paisagens mudam consoante a luz, o som das ribeiras alteram-se consoante o seu caudal criando cenários inesperados que proporcionam o encontro fortuito com um atrevido javali ou com um magnífico veado…
Integradas nesta magnífica paisagem natural surgem aldeias que parecem perdidas no tempo mas mantêm a sua alma bem viva, com um coração batente entre as pedras de xisto que as envolvem, acolhendo calorosamente os visitantes que por ali se perdem. Referimo-nos a aldeias como a de Gondramaz, em Miranda do Corvo, ou Talasnal e Candal, na Lousã, as quais integram a Rede das Aldeias do Xisto.
Uma rede de percursos permite a visita a pé ou de bicicleta proporcionando diferentes experiências, para aqueles que preferem explorar este território que integra a Rede Natura.
As Aldeias do Xisto são a porta de entrada para um território maravilhoso com uma variada oferta de turismo e lazer em íntimo contacto com a Natureza e com as tradições culturais da região. Para quem gosta de caminhar, existem mais de 600km de percursos pedestres devidamente homologados. Os amates de BTT vão ficar surpreendidos com a oferta de trilhos com vários níveis de dificuldade ancorados nos Centros de BTT, autênticas estações de serviço em regime de self-service adaptadas aos praticantes da modalidade. Durante o Verão, a rede de praias fluviais permite momentos refrescantes e tranquilos nas mais puras águas do país. 
Ainda para visitar, existe um vasto património histórico, desde ruínas pré-históricas a religiosas (como o Convento de Santa Maria de Semide, ocupado por freiras e no qual têm origem as Rendas de Semide, tradicionais na região).
A nível de artesanato, dá-se destaque à olaria, tecelagem, cestaria, as já referidas Rendas de Semide, latoaria e esculturas em xisto.
A gastronomia do concelho é também variada, dando-se destaque a pratos de carne, como a chanfana, sopa de casamento, bucho, chispe, negalhos e sarrabulho. A nível de doçaria, destacam-se as nabadas e as súplicas, com origem no Mosteiro de Santa Maria de Semide.


Fonte: Câmara Municipal de Miranda do Corvo



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