Almeida

O território do Concelho de Almeida apresenta vestígios de presença humana desde o paleolítico, estando detectados alguns núcleos castrejos da Idade do Bronze e do Ferro, bem como informação clara sobre a presença romana.

Mas é no período medieval, com especial destaque para a época da formação da nacionalidade, que se estrutura a linha evolutiva caracterizadora do território em causa. Devendo-se esta evolução a dois factores fundamentais: a sua localização no limite fronteiriço do território português e a criação dos concelhos, como forma de garantir o povoamento da fronteira.

O Rio Côa constituiu durante um largo período temporal o limite dessa mesma fronteira entre o Reino de Leão e o território português, até que em 1297, com a assinatura do tratado de Alcanices durante o reinado de D. Dinis, se integram definitivamente os territórios a Este do Rio Côa em Portugal. Este avanço da linha de fronteira, vai condicionar o desenvolvimento futuro do território em causa, ganhando Almeida e castelo Bom, uma importância estratégica predominante em detrimento de Castelo Mendo situado na margem esquerda do rio Côa.

O atual Concelho de Almeida concentra em si a base de três concelhos criados na Idade Média. Almeida recebeu a carta de foral em 1296, por D. Dinis e revogado em 1510 por D. Manuel I , Castelo Bom recebeu foral em 1296 pela mão do mesmo monarca, revogado também em 1510, Castelo Mendo já detinha foral desde 1229, por iniciativa do Rei D. Sancho II, confirmado depois por D. Dinis em 1281 e revogado em 1510.

O Concelho de Castelo Mendo foi extinto em 24 de Outubro de 1855. As freguesias que o compunham (Azinhal, Peva, Freixo, Mesquitela, Monteperobolso, Ade, Cabreira, Amoreira, Leomil, Mido, Senouras e Aldeia Nova, Parada, Porto Ovelha, Miuzela) foram anexadas ao Concelho do Sabugal. Em Dezembro de 1870 passaram a fazer parte do Concelho de Almeida, que já era composto por Vale de Coelha, Vale da Mula e Junça, com excepção da Parada, Porto Ovelha e Miuzela.

O Concelho de Castelo Bom foi abolido com as reformas administrativas liberais em 1834, tendo sido anexado ao concelho de Almeida, conjuntamente com as seguintes freguesias: Freineda, Naves, S. Pedro do Rio Seco e Vilar Formoso.

Mas o Concelho de Almeida, vai ainda absorver e perder área administrativa dos concelhos limítrofes. Assim em 1834 absorve as freguesias de Malpartida, Cinco Vilas e Reigada ao concelho de F. Castelo Rodrigo. Em 1883 anexa as freguesias da Malhada Sorda e Nave de Haver do extinto concelho de Vilar Maior. Em 1895 integra as freguesias da Miuzela, Parada, Porto Ovelha, do termo do Concelho do Sabugal, e Valverde do termo do Concelho de Pinhel, mas perde nesse mesmo ano, para o Concelho de F. Castelo Rodrigo as Cinco Vilas e a Reigada.

Eclesiásticamente, o território do Concelho de Almeida faz parte do Bispado da Guarda, embora no passado tenha pertencido ao Bispado de Cidade Rodrigo, Lamego e Pinhel.

No período do cisma do ocidente, em finais do século XIV, passou da Diocese de Cidade Rodrigo para a de Lamego, porque o Reino de Castela tinha aderido ao partido do Papa de Avinhão e Portugal tinha-se mantido fiel a Roma. Em 1770 foi criada por Clemente XIV a Diocese de Pinhel à qual se juntou Almeida, no entanto esta foi extinta em 1881 por Leão XIII, passando Almeida para a Diocese da Guarda.

Existem várias versões para origem do nome Almeida. Mas o que todos concordam é que o nome é de origem árabe. Uns referem que vem do árabe Al Mêda e que significa a mesa, pelo facto da povoação se encontrar situada num vasto planalto, no planalto das mesas. Há também quem afirme que vem do árabe Atmeidan que significa campo ou lugar de corrida de cavalos. Frei Bernardo de Brito, natural de Almeida e cronista-mor do reino, afirma derivar, Almeida, da configuração do terreno em que a Vila se encontra edificada e cujo nome original é Talmeyda.

A lenda diz que a sua origem vem de uma mesa cravejada de pedras preciosas que em tempos existiu naquele lugar. De tantas versões o que parece correto é que o termo Almeida tem a sua origem árabe, dado que o prefixo al é dessa proveniência.

No recorte do horizonte, surge o encadeamento da muralha da fortaleza. O baluarte representa um símbolo sempre presente na memória das gentes de Portugal. Num concelho onde o planalto une o céu e a terra, partimos à descoberta da terra das gentes da raia numa alma grande até Almeida.

A vila de Almeida está rodeada por um polígono defensivo de forma hexagonal de muralhas que constituem um raro exemplar da arquitetura militar.

Da história da região ficam factos importantes que marcaram a individualidade do território e da nação de Portugal.

Para trás ficou a crise dinástica de D. Fernando e as guerras da Restauração tendo D. João IV reforçado a sua defesa. Na terceira invasão francesa, Massena cercou a praça em 1810. Almeida aguentou com valentia mas a explosão de um paiol desmoralizou o governador da praça Costa e Almeida que acabou por entregar a vila. Em 1811 Wellington sitia e retoma a praça. Durante as lutas liberais, o conde de Bonfim revoltou-se contra o ministério cabralista e refugiou-se na vila com outros revoltosos entre os quais José Estêvão. O barão da Fonte Nova pôs-lhe cerco fazendo-os capitular em 1844 exilando-se Bonfim em Espanha.

Almeida é um dos 14 concelhos que compõem o distrito da Guarda. Situa-se a uns 760 metros de altitude, na região centro do país, mais propriamente a sul de Figueira de Castelo Rodrigo, a Norte do Sabugal, Este da Guarda e a Oeste de Espanha.

Actualmente, o número de freguesias do concelho de Almeida é de 29 e 8 anexas estando distribuídas numa área geográfica de 524Km2. As freguesias são: Ade, Aldeia Nova, Almeida, Amoreira, Azinhal, Cabreira, Castelo Bom, Castelo Mendo, Freineda, Freixo, Junça, Leomil, Malhada Sorda, Malpartida, Mesquitela, Mido, Miuzela, Monteperobolso, Nave de Haver, Naves, Parada, Peva, Porto de Ovelha, S. Pedro do Rio Seco, Senouras, Vale de Coelha, Vale da Mula, Valverde e Vilar Formoso.

Com a Reforma de Mouzinho da Silveira, de 24 de Outubro de 1855, são extintos os Concelhos de Castelo Mendo e Castelo Bom, fazendo parte integrante do Concelho de Almeida.

Através do Decreto de 7 Dezembro de 1870 recebeu 12 freguesias do concelho do Sabugal e a 1 de Março de 1883 mais duas. A 12 de Julho de 1895 são tiradas mais quatros freguesias ao concelho de Sabugal. Mas o concelho de Almeida também perdeu as localidades de Cinco Vilas e Reigada, pertencendo actualmente ao concelho de Figueira de Castelo Rodrigo.

Neste Concelho, na zona mais a Sul, nas Freguesias de Nave de Haver e Malhada Sorda, que se inclui nos sítios de Rede Natura 2000 (Resolução de Conselho de Ministros n.º 142/97, de 28 de Agosto), tratando-se de uma mancha contínua de Carvalho negral (Quercus pyrenaica Willd.) com uma área de cerca de 1.032ha, em bom estado de conservação. Constituída por várias classes de habitats naturais e por valores florísticos e faunísticos de interesse comunitário nesta área.

Este Concelho é atravessado na sua vertical por um Rio, o Rio Côa. É um Rio Português, que nasce na Serra da Mesas, próxima da Serra da Malcata, percorre cerca de 130Km, dos quais 34Km são percorridos no nosso Concelho, e vai desaguar na margem esquerda do Douro, perto de Vila Nova de Foz Côa. É dos poucos Rios que efectua um percurso na direcção Sul – Norte.

Neste Concelho encontrará uma rica e apreciada gastronomia que vai desde os famosos Enchidos e Queijos até aos diversos pratos concebidos à base de caça da região, como o são o “Coelho à Caçador” e o “Arroz de Lebre”. Com tradição existem também os pratos de Cabrito e Borrego Assados, a burzigada, a Açorda de Alho e a Salada de Meruges.

No que toca a doçaria temos para oferecer o Pão de Ló, o Doce de Abóbora, a Marmelada, o Doce de Tomate e Cereja, a Bola Doce e a Bola Parda. Como acompanhamento não podemos esquecer a Ginja e a Jeropiga.

Em termos de estrutura económica pode dizer-se que o Concelho de Almeida é predominantemente rural. A atividade agrícola, por vezes complementada por pequenas explorações agro-pecuárias, desenvolve-se em áreas de pequena dimensão dispersas por todo o Concelho, e assume um carácter predominantemente familiar. É uma atividade importante do ponto de vista da subsistência de um número significativo de famílias deste Concelho, mas que dadas as suas características, aliadas a factores de ordem económica e social, apresenta baixos níveis de produtividade.

O sector secundário caracteriza-se pela existência de algumas pequenas e médias unidades industriais, sendo a sua exploração assegurada na maioria dos casos por uma organização familiar ou através da contratação de um número reduzido de empregados.

As indústrias da alimentação, da madeira e de transformação de mármores e granitos são as mais representativas, embora de um modo geral este sector se caracterize por baixas produtividades e ocupe apenas cerca de 5% da população ativa do concelho.

A estrutura do sector industrial tem-se alterado significativamente, através da dinamização do parque industrial de Vilar Formoso, infra-estrutura constituída por 31 lotes.

O sector terciário assume alguma expressão nas freguesias de Almeida e de Vilar Formoso: Almeida, pelo facto de aí se encontrarem sediados os serviços administrativos inerentes a uma sede de concelho, algumas agências bancárias, escritórios de advogados e de contabilidade bem como algum comércio tradicional e pequenas unidades hoteleiras; Vilar Formoso, pela dinâmica que lhe assiste enquanto principal fronteira terrestre, apresenta um número significativo de agências bancárias, unidades hoteleiras e estabelecimentos comerciais.

Os serviços considerados de natureza social adquirem também já alguma relevância nas duas vilas e em várias aldeias, através do trabalho desenvolvido pelas instituições de solidariedade social aí existentes, nas áreas de apoio e acolhimento de idosos e também de apoio à 1ª infância.

O concelho é servido pela linha da Beira Alta e pela A25. Este itinerário tem dois nós de acesso ao Concelho, sendo no Alto de Leomil e o outro em Vilar Formoso.

Em termos de acessibilidades intra-concelhias o concelho de Almeida possuie também 3 estradas nacionais: – A EN 332, a EN 324 e a EN 16.

Fonte: Câmara Municipal de Almeida

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