Cantanhede

A sua primeira referência histórica surge apenas em 1087, no testamento do Conde D. Sesnando, Governador de Coimbra, que teria mandado fortificar e povoar a Vila, por volta do ano 1080. Esta atitude, por outro lado, pressupõe e ocupação territorial por parte dos árabes, até 1064, ano em que Coimbra foi, definitivamente, reconquistada pelos cristãos.
A crer na tradição, o primeiro foral de Cantanhede teria sido outorgado por D. Afonso III, porém nada existe a comprová-lo. De concreto, apenas se conhece o foral que foi atribuído por D. Manuel I, em 1514.
O cronista Fernão Lopes, na sua Crónica de D. Pedro I, relata que foi em Cantanhede que, em 1360, D. Pedro I terá declarado, perante todas as personalidades do Reino e ao povo, que D. Inês de Castro era sua esposa legítima e, que terá jurado, pela sua alma, que a havia recebido canonicamente, em Bragança, sete anos antes da sua declaração pública. Apesar da dispensa papal que exibiu e do testemunho do Bispo da Guarda, D. Gil, aquele monarca não conseguiu convencer a História, mas encenou um evento marcante em Cantanhede.
 Em 1470, D. Fernando doou a vila a João Gomes da Silva, mas posteriormente, esta regressou aos domínios da Coroa, para depois integrar os bens dos Meneses.
 D. Gonçalo Teles de Meneses, conde de Nova e Faria e alcaide-mor de Coimbra, foi o primeiro Senhor de Cantanhede. Seu filho, D. Pedro de Meneses recebeu o título de Conde de Cantanhede, por carta régia de D. Afonso V, em 1479, título que permaneceu na família durante quase quatro séculos.
 A família Meneses, oriunda de Espanha, instalou-se em Portugal, no Reinaldo de D. Sancho I, e relacionou-se, e, consanguinidade, com a família real, pelo matrimónio de Afonso Teles de Meneses com D. Teresa Sanches, filha bastarda daquele monarca e de D. Maria Pais, a formosíssima Ribeirinha.
 São Filhos ilustres desta Freguesia, Pedro Teixeira e D. António Luís de Meneses.
Pedro Teixeira, nascido em 1585, foi herói bandeirante do Brasil, tendo explorado a Amazónia; em expedição chegaram ao rio Tapajos e atravessaram a cordilheira andina, até Quito. Foi ele quem encetou a penetração luso-brasileira no (ainda) pulmão mundial, muito para além dos limites estipulados pelo horizonte do Tratado de Tordesilhas.
 D. António Luís de Meneses, terceiro Conde de Cantanhede, notável cabo-de-guerra, acumulou o título de primeiro Marquês de Marialva. Figura ilustre na sua época, para além de capitão-general, desempenhou ainda os cargos de conselheiro de Estado e da Guerra e vedor da Fazenda; prestou valiosos serviços à Pátria que serviu com dedicação e lealdade. Morreu em 1675. Em testamento, deixou expresso o seu desejo de ter o seu coração enterrado aos pés de D. João IV. Os seus restos mortais jazem no convento de Nossa Senhora da Conceição, em Cantanhede.
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