Estarreja

A ocupação humana deste território - outrora junto ao mar e após à ria - remonta, de acordo com os estudos arqueológicos realizados, ao Neolítico (séculos V a III a.C.), existindo alguns artefactos deste período. Há provas também de comunidades ao longo do Megalitismo, da Idade do Ferro, da época Romana e da Idade Média.
Está comprovada a existência de pequenos povoados dedicados à agricultura e à pastorícia. Da Idade Média temos referências documentais desde o século X a Avanca, a Antuã, Canelas, Fermelã, Roxico, Beduído, Salreu e Veiros, pertencendo então todo este território às Terras de Santa Maria.
Em 1257, D. Afonso III fez doação das vilas de Antuã e Avanca ao Mosteiro de  Arouca. Por esta época já a região estava polvilhada de pequenas aldeias, dedicando-se as suas comunidades também a outras atividades não agrícolas, como a salinífera e a piscatória.
Em 1334 surge a primeira menção a Estarreja.
Em 15 de Novembro de 1519, D. Manuel I outorgou o foral à vila de Antuã, sendo que  os territórios que hoje compõem o concelho tinham entre 1.650 e 2.050 habitantes.
Em meados do século XVII, o concelho de Antuã alterou a sua designação para Estarreja, o qual, já no século XIX, viria a sofrer grandes alterações em virtude da extinção dos foros do senhorio do Mosteiro de Arouca e  dos concelhos de Angeja e Bemposta.
Em 1833, com o “Mappa da Divisão do Território de Portugal e Algarve” é criada a Província do Douro, que se dividia em 8 Comarcas, a saber: Amarante, Aveiro, Coimbra, Feira, Figueira, Penafiel, Porto e Estarreja. Por sua vez, a Comarca de Estarreja era composta por 9 Concelhos: Angeja, Cever, Estarreja, Estêvão, Macieira de Cambra, Oliveira de Azeméis, Paus, Pinheiro da Bemposta e Frossos.
Confirma-se essa importância administrativa em 1862 com a chegada do caminho-de-ferro, potenciando o comércio e alterando a importância da navegação na Ria, que havia transformado Estarreja no 2.º porto de sal, só ultrapassado por Aveiro. 
Finalmente, em 1926, com a desanexação das freguesias de Bunheiro e Murtosa e subsequente criação do concelho da Murtosa, passou o concelho de Estarreja a ter a atual configuração, com sete freguesias: Avanca, Beduído, Canelas, Fermelã, Pardilhó, Salreu e Veiros.
A era industrial, inicialmente ligada a pequenas fábricas locais – realce-se a Sociedade de Produtos Lácteos, cofundada por Egas Moniz em 1926 e adquirida pela Nestlé – identifica-se, a meio do século passado, com a gradual instalação do complexo químico, dos maiores do país.
Já será no início deste século e milénio que arranca e se consolida o Eco Parque Empresarial. Sinal do novo conceito de desenvolvimento sustentável, em 2003 é criado o BIORIA, o primeiro projeto de conservação da natureza na zona lagunar.
Estarreja é elevada a cidade em  Janeiro de 2005, ano em se cria o Parque Municipal do Antuã e se reabre o  Cine-Teatro,  na afirmação de uma marca cultural que referencia o município a nível regional e nacional.
Detentor de um património natural ímpar, o Município de Estarreja possui mais de 500 km de frente ribeirinha polvilhada e recortada por múltiplos Esteiros e Ribeiras, que lhe conferem uma sublime beleza paisagística.
Terras humanizadas, modeladas por um mosaico de ricos habitats, alguns raros como o “Bocage” e outros de elevada importância como os caniçais, juncais, arrozais, campos agrícolas, sapal salgado e praias de vasa e lodos, que gozam de uma biodiversidade única composta por inúmeras espécies da flora e fauna autóctone, algumas ameaçadas, raras e de elevado valor conservacionista como a Lontra, o Toirão, a Garça-vermelha, a Águia-sapeira, o Guarda-rios, o Garçote, o Colhereiro, a Coruja-do-Nabal, o Pisco-de-peito-azul, a Felosa-poliglota, o Tritão-marmorado, a Rã-ibérica, a Rela e o Lagarto-de - água.
Todos estes mistérios naturais do concelho podem ser descobertos nos percursos de natureza.
A Ria de Aveiro está intrinsecamente ligada ao mar, dada a sua proximidade geográfica e influência direta que se faz sentir pela entrada de águas marinhas através da barra. Este sistema lagunar tem profundas influências nas populações ribeirinhas, que aprenderam a usar a panóplia de recursos que lhe oferece e, há centenas de anos, que vem atuando, modelizando-o de forma acentuada.
É o reflexo desta atuação o Bocage, sistema presente no concelho de Estarreja e que proporciona uma paisagem única na região. A zona do concelho que se integra no Baixo-Vouga Lagunar possui áreas de caniçais, os quais assumem especial importância como habitat de nidificação, nomeadamente da garça vermelha, do pato-real, da águia sapeira e dos pequenos passeriformes.
A complexa rede de canais arborizados permite a presença de lontras na zona lagunar. Como locais amplos de entrada da terra para os canais da Ria, encontram-se os esteiros, designação que esteve na origem da palavra “Estarreja”.
A maioria das freguesias do concelho possui estes “braços” da Ria que se estendem pela terra dentro, constituindo um conjunto natural de 11 esteiros com grande relevância para o ecossistema de Estarreja. Para além dos esteiros, existe ainda um elemento natural muito importante no concelho – a Árvore Centenária, na freguesia de Veiros.

 
Fonte: Câmara Municipal de Estarreja

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