Mira

A ocupação humana do atual concelho de Mira remonta há centenas de milhares de anos. Há indícios e vestígios antigos da vida humana que remontam a épocas antiquíssimas, que podem ser integrados no Paleolítico Antigo, tal como instrumentos simples de pedra talhada. Pode mesmo afirmar-se, em função dos sítios arqueológicos detetados e das suas caraterísticas, que durante o Paleolítico existiu uma ocupação intensa da Região.
Da época romana também se encontraram diversos materiais de construção, nomeadamente "tegulae" (telhas) e cerâmica doméstica, vestígios de casais romanos, que constituem os testemunhos mais antigos das primeiras moradas permanentes dos pescadores-agricultores das atuais terras Mira. 
Já no período Muçulmano, toda a região terá sido palco de guerras entre cristãos e árabes, até que, em 1064, se deu finalmente a afirmação do poder dos cristãos com a conquista de Coimbra. Toda a influência árabe foi sempre muito nítida, tendo mesmo a região um dos maiores focos de moçarabismo de toda a península. Durante estas “lutas” foram emergindo, nas linhas de fronteiras e linhas de separação de territórios, diversas novas localidades, com ocupação contínua e definitiva dos territórios conquistados. Entre elas, conta-se Mira. 
É a partir desta altura que melhor se conhece a História das terras de Mira. 
Por altura em que as terras, que hoje são Portugal e se estendem até ao Mondego, pertenciam ao reino de Leão e Castela, o rei Afonso VI doou-as a sua filha mais velha, D. Urraca e a seu marido, Conde D. Raimundo. Foi já sob o poder de Urraca, no ano de 1095, que Mira viria a aparecer documentada, na confirmação da sua posse a Soleima Godinho, que foi distinguido com a doação de vários bens, entre eles a villa de Mira, que ele já possuiria, a título precário, de tempo anterior que se desconhece. 
Em 1132, Soleima Godinho acabaria por legar metade das suas herdades em Montemor e da Igreja de São Tomé de Mira, ao recém fundado Mosteiro de Santa Cruz, da Cidade de Coimbra. Esta instituição levou a cabo um intenso desenvolvimento das terras de Mira, procurando fixar os homens e retirar o rendimento possível da terra, conforme se pode aferir num contrato com os povoadores da Ermida de Santa Maria de Mira, em 1183. Surgiram então os lugares pelos arredores, Ermida, Corujeira, Portomar e nasceram lugares de culto (a ermida de Santa Maria de Mira a par da igreja de São Tomé).
Após a grande recessão do século XIV, que também terá atingido terras de Mira, chegando mesmo a desaparecer alguns lugares até aí conhecidos, foi a realeza, na dinastia de Avis, que lhe trouxe novo e grande impulso de desenvolvimento. D. João I beneficiou seu filho, Pedro, tornando-o duque de Coimbra, senhor de Montemor, da vila de Aveiro e das terras de Mira. Terá sido D. Pedro, o senhor de Mira, quem mais se interessou pelo lugar, e, em 12 de Outubro de 1442 concede carta de privilégios aos moradores de Mira (carta esta que foi confirmada pelo seu sobrinho, rei Afonso V, a 22 de Julho de 1447).
Em 12 de Julho de 1448, D. Afonso V doa oficialmente, ao Infante D. Pedro, seus filhos e netos, as vilas de Mira e Aveiro e simultaneamente desanexa Mira do termo de Coimbra, elevando-a a concelho e concedendo-lhe autonomia administrativa.
Em 1497, a 3 de março, o rei D.Manuel I doa os direitos reais de Mira a Gonçalo Tavares, e em 27 de agosto de 1514 assina o foral concedido a estas terras, como instrumento de governação local, garantindo a representatividade do povoado e seus habitantes, relativamente a obrigações e encargos, limitando o poder dos senhores em favor dos povos.
O senhorio de Mira manteve-se na família dos Tavares até que, no reinado de D. João IV, por doação desse rei a sua esposa D. Luisa de Gusmão, passou a integrar o património da Casa das Rainhas. Foi D. Luisa de Gusmão, que em 2 de abril de 1644, ordenou ao corregedor, da Comarca de Coimbra, a tomada de posse da vila e seu termo, e aí se manteve até 1833 (aquando da extinção do regime senhorial, do reconhecimento da garantia plena da propriedade privada e no controlo exclusivo pela lei e pelos tribunais). 
Todo o século XIX foi rico em reformas administrativas. Mira, tradicionalmente ligada à cidade do Mondego, pertenceu administrativamente ao distrito de Aveiro. A freguesia da Mamarosa esteve integrada no concelho de Mira, havendo um documento de 30 de junho de 1837 que referia que o concelho de Mira tinha duas freguesias, Mira e Mamarosa (esta freguesia pertenceu a Mira até 31 de dezembro de 1853, tal como a freguesia de Covão do Lobo pertenceu ao concelho de Mira de 1853 a 1855).
Em 1839, o concelho estava integrado na Comarca de Aveiro e em 1852 na de Anadia. No ano de 1853, o decreto de 31 de dezembro reintegrou o concelho de Mira no Distrito de Coimbra.
O concelho teve uma efémera extinção, resultado da lei de 26 de junho de 1867 que preconizava uma reforma administrativa, regulamentada por decreto de 10 de dezembro desse mesmo ano, que extinguia vários concelhos, entre os quais Mira e Vagos, tendo Mira ficado integrada no concelho de Cantanhede. Entretanto, o decreto de 14 de janeiro de 1868 anulou a lei e decreto anterior, pelo que o concelho de Mira esteve extinto um mês e quatro dias.
Novamente por decreto, de 7 de Setembro de 1895, após as reformas administrativas do início do liberalismo, Mira voltou a ser incorporada no concelho de Cantanhede. Mas após um período de dois anos e quatro meses, voltou a recuperar a sua autonomia, acabando o concelho por ser restaurado, por decreto de 13 de Janeiro de 1898.
El Rei D. Manuel, em 27 de Agosto de 1514, concedeu Foral a Terras de Mira.
O seu conteúdo, fruto de um tempo e de uma época, espelha sobretudo a vida social, económica e fiscal do lugar, permitindo ainda uma fugidia informação sobre a administração local. Torna-se assim num quadro vivo e variado, de gente local e gente em circulação, com obrigações, graças e privilégios, em que a pacatez dos locais é quebrada com mercadores a chegar, com as suas bestas carregando produtos de outros partes.
Hoje, mais não é do que peça de arquivo ou museu, mas a sua leitura no início do século XXI suscita uma viagem no tempo e alicerça memórias, de um passado colectivo. O original deste documento que se apresenta como um códice com a primeira página iluminada, encontra-se actualmente no Museu do Território da Gândara, depois de um aprofundado trabalho técnico de conservação e restauro, que garante a salvaguarda deste valioso património documental para as gerações vindouras.
O Concelho de Mira, com uma superfície aproximada 123 km², plana ou ligeiramente ondulada, é dominada por uma cobertura arenosa de origem sedimentar recente, designada por “Areias da Gândara” e encontra-se coberta por uma frondosa floresta de pinheiro-bravo.
Um pouco mais de metade do Concelho está classificado de Sítio Rede Natura 2000 – Dunas de Mira, Gândara e Gafanhas, um estatuto ambiental ao nível europeu para a protecção de habitats e de espécies específicas associadas e que inclui dunas, pinhais, lagoas e ribeiras.
O canal de Mira, na área de sapal do Areão de Mira, pertence à Zona de Protecção Especial da Ria de Aveiro, uma salvaguarda para a biodiversidade e protecção da avifauna. 
Assim, quem passeia e usufruir das terras de Mira, sobretudo pela pista ciclo-pedonal, com cerca de 25km de extensão, apercebe-se das diferentes paisagens que atravessa: desde a orla costeira e dunas à enorme mancha verde formada pela floresta, passando por retalhados campos agrícolas, cursos de água e pelas duas lagoas de água doce que, em conjunto, criam um agradável cenário paisagístico. Estas diferenças traduzem-se em habitats distintos que acolhem dezenas de populações impares, onde flora e fauna coexistem.
Nesta região estão inventariadas 198 espécies de aves, 12 de peixes, 13 de anfíbios, 12 de répteis e 22 de mamíferos. Nas plantas, entre herbáceas, arbustivas e arbóreas, podemos encontrar 402 espécies florísticas. São estes mundos de escala menor que o convidamos a explorar!
A gastronomia típica da Região da Gândara, entrelaçando tradições de uma zona rural pouco abastada, muito próxima da Bairrada, com usos ligados à Ria de Aveiro e delimitada pela costa marítima atlântica, divide-se ela própria numa variedade de produtos, sabores e paladares distintos, dignos de apreciação, mas sempre com heranças ligadas ao modo de vida dos nossos antepassados e das suas tarefas, quer na agricultura, quer na pesca. A vida atarefada destas gentes laboriosas e inteligentes levou-as a criarem uma alimentação peculiar baseada nos produtos locais que, com uma confecção mais ou menos fácil, particular e eficaz, sempre valorizou temperos e saberes herdados de geração em geração.
O concelho de Mira possui um variado património rural com um conjunto de condições naturais e culturais que interessam valorizar e dar a conhecer. Por estas razões, os recentemente criados percursos pedestres do concelho de Mira, associados a prática do pedestrianismo, são uma aposta de forma a diversificar e potenciar o turismo, dando a conhecer o território e seu património. 
Os seis percursos pedestres contribuem para fomentar o desenvolvimento sustentável e a conservação patrimonial. Totalizam cerca de 60Km de extensão e estão implantados por caminhos tradicionais rurais e florestais e, parcialmente, na pista ciclo-pedonal. São uma forma saudável e excepcional para conhecer o território e os seus valores ambientais, culturais e arquitectónicos. Cinco destes percursos estão interligados (excetuando o PR6 MIR), integrando a Rede de Percursos Pedestres de Interpretação do Património de Mira. Ressalva-se que a maioria do traçado dos percursos estar em área protegida de estatuto europeu: Sítio Natura 2000 - Dunas de Mira, Gândara e Gafanhas e, a parte norte do PR5 MIR no Sitio Natura 2000 - Ria de Aveiro.
A Praia de Mira é uma zona balnear do tipo urbana com uso intensivo e bastante tradição. Possui o galardão de Bandeira Azul da Europa desde 1987, ano em que se iniciou essa campanha mundial e é a única praia que, desde sempre, tem esse mérito. Esta praia apresenta excelentes condições para a prática balnear e tem diversos serviços para os banhistas destacando-se: balneários, acessibilidades, chuveiros de praia, ecopontos de praia, postos de primeiros socorros, nadadores-salvadores e modernos equipamentos de bebidas e restauração.
A Praia do Poço da Cruz é uma zona balnear quase natural, do tipo não urbana de uso pouco intensivo. Tem óptimas condições para a prática balnear e desportiva, como o Surf e o parapente, e apresenta diversos serviços, destacando-se: chuveiros de praia, ecopontos de praia, posto de primeiros socorros, nadadores-salvadores e equipamentos de bebida. Foi pela primeira vez galardoada pela Bandeira Azul em 2007.

 
Fonte: Câmara Municipal de Mira

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