Peniche

O nome Peniche parece derivar da palavra latina peninsula (paene + insula) que à letra significa "quase ilha". Esta origem, aparentemente comprovada pela documentação histórica conhecida, aponta para um quadro cíclico de maior ou menor insularidade desde território, realidade porventura variável de acordo com o ritmo das marés, e cuja memória se terá perpetuado num topónimo que, por força da utilização oral, evoluiu para o seu termo atual: Peniche.
Desde cedo que esta região estremenha parece ter despertado o interesse das comunidades paleolíticas de caçadores-recolectores que perante a diversidade de recursos disponibilizados aqui se terão fixado.
As principais estações pré-históricas conhecidas no concelho correspondem a ocupações em gruta, conhecendo-se um importante conjunto de sítios na zona Sudoeste do concelho, no Planalto das Cesaredas. Porém a mais importante estação pré-histórica do concelho é a Gruta da Furninha, Estação hoje localizada junto ao mar, foi ocupada entre o Paleolítico Médio e o final do Calcolítico,  ocupada durante o Paleolítico, como abrigo, e durante o Neolítico e a Idade do Cobre, como necrópole, forneceu um vasto espólio arqueológico, no qual se destacam: vestígios osteológicos de vários hominídeos, nomeadamente do Homo Sapiens (Homem de Neandertal) e de Homo Sapiens Sapiens (Homem atual). Durante a época romana assiste-se à consolidação de uma economia assente no cultivo das férteis terras aluviais contíguas ao Rio de S. Domingos e à Ribeira de Ferrel, e na exploração de recursos estuarinos e marinhos. 
Esta localidade, hoje situada no interior do território a alguma distância do mar, conheceu durante a Idade Média um grande desenvolvimento económico mercê do seu porto, considerado à época de D. Dinis um dos portos mais importantes do reino. Para a Idade Média as fontes históricas falam de uma ilha de Peniche integrada na esfera económica e administrativa da importante herdade e depois vila de Atouguia da Baleia. Este florescimento económico possibilitado por uma rentável atividade piscatória, assente na captura de espécies como baleia (cetáceo que aliás dá o nome à vila) permitiu a autonomia administrativa deste território face à vizinha povoação de Óbidos. Esta autonomia é concretizada em 1158 quando D. Afonso Henriques concede em Foral a então herdade de Touguia a Guilherme de Corni, cruzado franco que terá servido este monarca na tomada de Lisboa. Se até ao séc. XVI a pouco povoada ilha de Peniche terá vivido na esfera económica e administrativa da Vila de Atouguia da Baleia, a partir deste período, com a lenta formação do atual cordão dunário que liga Peniche ao continente e com o consequente assoreamento do porto de Atouguia da Baleia, assiste-se ao desenvolvimento da jovem povoação de Peniche, elevada em 1609 à categoria de vila e sede de concelho, autonomizando-se de Atouguia da Baleia. 
Este crescimento urbano, resultante do progressivo aumento do número de moradores na povoação, foi proporcionado pela intensa exploração dos recursos económicos disponíveis na península de Peniche, destacando-se a vigência de uma agricultura assente no cultivo dos cereais e da vinha, e, obviamente, a pesca.
Por outro lado, também a edificação faseada de um sólido sistema defensivo, processo iniciado por D. Luís de Ataíde (Conde de Atouguia e Vice-rei da Índia entre 1568-71 e 1578-81), parece ter contribuído para um certo clima de prosperidade, ao inibir os até aí frequentes ataques da pirataria muçulmana norte-africana e ao impossibilitar desembarques hostis. Este complexo sistema defensivo concluído no séc. XVII era constituído por várias fortificações localizadas sobranceiramente ao mar, vigiando o acesso a vários pontos da costa considerados de vital importância estratégica. 
Durante o séc. XX, verifica-se uma rápida e profunda transformação da pesca, na qual as tradicionais embarcações e técnicas de captura dão lugar à moderna traineira e à produtiva pesca de cerco. Fruto desta evolução presencia-se o desenvolvimento de várias indústrias associadas à pesca, como a congelação, a salicultura, a indústria conserveira, ou a construção naval, atividades que associadas ao cultivo da vinha, complementam o tecido produtivo desta península. Neste período assiste-se também a uma lenta mas progressiva melhoria da qualidade de vida das populações do concelho. Nesse sentido são criados durante a primeira metade do séc. XX vários bairros operários, e de pescadores, em substituição de velhas habitações abarracadas; implanta-se uma rede pública de abastecimento de água, em substituição dos ancestrais poços comunitários, e é introduzida, de forma particularmente precoce, a energia elétrica. Esta lenta melhoria das condições de vida que se estendeu pela 2ª metade do século passado não diminuiu, todavia, as dificuldades da árdua labuta piscatória e agrícola. Pesem as transformações económicas e sociais verificadas no último quartel do séc. XX, decorrentes particularmente da adesão de Portugal à União Europeia, estas continuam a pautar a vida das gentes de Peniche, moldando a maneira de ser do Homem e da Mulher penichense. Durante a chamada Época Contemporânea (séc. XIX - XX) assiste-se à consolidação no concelho de Peniche de uma estrutura económica e social assente na exploração dos recursos agrícolas e numa intensa atividade piscatória, realidade que perdurou até à atualidade. Se no interior do concelho a presença de cursos de água, como o rio de S. Domingos ou a ribeira de Ferrel possibilitaram o desenvolvimento neste período de uma importante atividade agrícola, que polvilhou a paisagem rural com férteis hortas e pomares, já na faixa litoral do concelho, particularmente na península de Peniche, prevaleceram a faina piscatória e indústrias adjacentes como principais atividades de subsistência. 
Neste território estremenho, a Natureza parece ter moldado uma vivência marcada pela dicotomia entre uma realidade marítima e piscatória, associada à exploração, transformação e comercialização dos recursos marinhos, predominante na península de Peniche, e um mundo eminentemente agrícola, do interior do concelho, onde o amanho da terra instituiu usos e costumes. O concelho de Peniche viu desde tempos remotos o seu território ocupado por populações que explorando os recursos naturais disponíveis viram na pesca e na agricultura as suas principais atividades económicas. Assim, predominam aqui tradições, usos e costumes associados à faia da pesca e indústrias adjacentes, bem como à agricultura. 
A sua especificidade geomorfológica, oscilando entre uma realidade insular / peninsular, parece ter moldado e condicionado de um ponto de vista socioeconómico e cultural, as populações que ao longo dos tempos ocuparam este território, permitindo simultaneamente que o concelho de Peniche fosse palco de importantes acontecimentos históricos de índole nacional e internacional.
concelho de Peniche é uma zona de grandes belezas naturais e de um recorte paisagístico invejável, com um vasto património histórico, cultural e religioso.
Desde as magníficas praias existentes ao longo de toda a costa, ideias para a prática de desportos náuticos, ao imponente património cultural, onde se destacam as fortificações e monumentos religiosos, onde se inclui uma gastronomia rica e variada dominada pelos pratos de peixe e marisco e um artesanato diversificado onde se destaca a famosa Renda de Bilros de Peninhe. A variabilidade da sucessão calcária e as condições dos afloramentos constituem uma óptima base para a realização de actividades de campo nos domínios da Estratigrafia, Paleontologia, Sedimentologia, Análise de Bacias Sedimentares, Geomorfologia, Património Geológico e Geologia Ambiental.
Em termos de desporto, o verão também é palco de muita animação, com a realização de vários torneios de futebol e voleibol de praia, a já famosa Corrida das Fogueiras, diversos campeonatos de desportos náuticos como o surf, bodyboard, kayak surf, percursos pedestres e de BTT. As principais praias da região são Supertubos (bastante reconhecida, tanto a nível nacional, como internacional, para a prática de surf), Consolação, Gamboa, Baleal, Peniche de Cima e Peniche de Baixo. 
Actualmente com uma área de 77,7 km2, e uma população de cerca de 28.000 habitantes, o concelho de Peniche é constituído por 4 freguesias. O principal acesso rodovário ao município é o IP6, que tem ligação às autoestradas A8 e A15, bem como as estradas Nacionais N114 e N247, sendo a primeira a que dá acesso à cidade. 
A nível económico, embora a pesca e a agricultura tenham tido lugar de destaque durante muito tempo, essa realidade já não se verifica, tendo estes perdido alguma da sua importância. No sector secundário, relativo à indústria, dá-se destaque às empresas de construção civil, transformação e conservação de pescado. No campo dos serviços, há destaque para as áreas mais relacionadas com o turismo, assim, sobressaem profissões ligadas ao serviços pessoais (de protecção e segurança), comércio, alojamento, restauração, entre outros. Há ainda empregabilidade a nível das actividades intelectuais e científicas, uma das áreas que mais emprega na região. 


Fonte: Câmara Municipal de Peniche

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