Proença-a-Nova

Reza a lenda que os habitantes ao admirarem a lua a brilhar no céu conceberam o objetivo de a alcançar e a maneira mais fácil seria colocar cortiços sobre cortiços, improvisando uma torre. A certa altura faltava um cortiço para alcançar a lua e foi quando alguém sugeriu retirar-se o cortiço do fundo e passa-lo para cima. Com esta deslocação aconteceu o inevitável: a torre desmoronou-se e os presentes exclamaram: “lá se vai a cortiçada!”, tendo nascido daqui o primeiro nome da povoação.

Proença-a-Nova é uma das doze vilas do Grão-Priorado do Crato, localizada entre as ribeiras do Alvito e da Isna, tendo-se chamado originalmente “Cortiçada” e, mais tarde, “Vila Melhorada”. O primeiro foral dado a Proença-a-Nova data de 1244 pelo Prior da Ordem do Hospital Frei Rodrigo Egídio. D. Manuel I reformou todos os forais, cabendo o «Foral Novo» a Proença-a-Nova em 1512. A justificação do nome “Cortiçada” está relacionada com a abundante produção de cortiça e elevado número de colmeias (também chamados cortiços) que, em tempos, foram de grande importância na região. As designações antigas de Cortiçada e Vila Melhorada caíram em desuso a partir do século XVI em favor de Proença a Nova.

Pedro da Fonseca é uma das figuras mais importantes da história do concelho de Proença-a-Nova. Devido ao seu vasto conhecimento, perspicácia, forte poder de argumentação e à relevância do seu trabalho de comentário à obra de Aristóteles ganhou o título de Aristóteles Português. Em 1570 recebeu, em Évora, o grau de Doutor (ato a que assistiram El-Rei D. Sebastião, o Cardeal D. Henrique e o Príncipe D. Duarte). Pouco depois foi mandado para Roma onde chegou a conselheiro do Papa. Regressando mais tarde a Portugal, trouxe consigo uma relíquia do Santo Lenho, um pedaço da cruz onde Cristo teria sido crucificado, recebida pelos seus préstimos enquanto conselheiro do Papa Gregório XIII em Roma, o qual doou à Santa Casa da Misericórdia em 1588, bem como o terreno para a construção da Capela da Misericórdia. É uma capela pequena, sem grandes pretensiosismos, mas muito delicada, concentrando em si a nave central, o altar-mor, o púlpito e o coro alto.

 Até 1623 não há registos de serviços de saúde em Proença-a-Nova, a não ser os barbeiros ou curandeiros. “Em 1623 a Santa Casa da Misericórdia contratou dois barbeiros para sangrar e outras coisas mais”, lê-se na Monografia do Concelho de Proença-a-Nova do Padre Manuel Alves Catarino. O primeiro médico em Proença-a-Nova foi Gregório Barbosa em 1624, de acordo com a mesma fonte. As comunicações eram praticamente inexistentes, podendo afirmar-se que até 1879, Proença-a-Nova esteve isolada do resto do país. Nesse ano construiu-se a Estrada nº 12-1ª, de macadame, que vinha da Sertã ao encontro da Estrada n.º 10 (de Abrantes a Castelo Branco) juntando-se perto do lugar de Vale D'urso. Em seguida abriram-se diversos caminhos entre as povoações do concelho e construíram-se novos pontões sobre as ribeiras de maior caudal. Os Correios, em fase de grande expansão, também se regularizaram. A primeira medida nesse sentido surgiu em 1833 com a nomeação de um estafeta para a Sertã, encarregado de fazer uma expedição semanal às terças-feiras. Em 1881 foi feito um pedido para um lugar de carteiro, o serviço permanente de mala-posta e a instalação da rede telegráfica. Esta veio a ser instalada em primeiro lugar, no ano de 1889, e a estação de correio no início do século XX.

 O bairro mais dinâmico da vila foi a Devesa. Para além da capela do Espírito Santo, situada no Largo, e da Capela de S. Sebastião situada junto ao parque das feiras, era neste bairro onde se realizavam as feiras, era lá que estava o Posto da GNR, o Centro de Saúde, a padaria, a casa da música e o teatro, o matadouro, a central elétrica, os lavadouros públicos, a fonte das três bicas, o relojoeiro e a loja do caixeiro, uma das mais antigas casas comerciais da vila. A Devesa era também o local onde se realizavam as festas. Outro bairro característico era o Outeiro, junto à Igreja Matriz, onde moravam essencialmente pessoas com fracos recursos económicos, mas com personagens que ainda hoje fazem parte da memória dos habitantes.

 Apesar de o feriado municipal ser o dia de Santo António, 13 de junho, a padroeira de Proença-a-Nova é Nª Srª da Assunção.

 

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