Tábua

É notável o passado que a História nos reservou. Vestígios diversos de peças de cerâmica e inscrições românicas, bem como o legado de pontes e vias construídas e utilizadas pela referida civilização romana nos atestam esse mesmo facto.
Todavia, sobre Tábua, bem como todo o Município, não restam muitos documentos escritos anteriores ao século XII que melhor possam elucidar este nosso passado, já que apenas a freguesia de Midões apresenta documentos escritos anteriores à Nacionalidade, embora muito escassos.
Não restam dúvidas, contudo, sobre o facto de todo o território do actual concelho de Tábua ter sido de domínio da civitas senense ou, depois, do fortíssimo castelo de Seia, compreendendo-se assim que, posteriormente, as primitivas paróquias do concelho surjam incluídas administrativamente na «terra» ou «julgado medieval» de Seia.
À semelhança de várias outras localidades do concelho, que durante o século XVI tiveram atribuição de cartas de foral (Ázere e Sinde a 10 de Fevereiro, Covas a 15 de Março, Vila Nova de Oliveirinha a 15 de Maio, Candosa a 16 de Junho, Midões, Mouronho e Pinheiro de Côja a 12 de Setembro), também Tábua teve carta de foral a 26 de Abril de 1514.
As suas terras eram a agregação de diversas povoações, designando Tábua mais um pequeno território do que uma povoação, que compreendia os bairros de Alvarelhos, Fundo de Vila e Silhada.
Sabemos também que Tábua, no século XII, foi, efectivamente, honra da família «da Cunha», por dádiva da filha de D. Afonso Henriques, Infanta D. Tereza, conforme as Inquirições de 1258 e, «nesta linhagem pertenceu durante sete séculos, tornando-se o mais longo senhorio de uma terra, com a particularidade de ter passado sempre em linha varonil, sem bastardia, até D. José Maria Vasques Álvares da Cunha, 4º Conde da Cunha, 22º senhor do julgado de Tábua, que faleceu a 16 de Março de 1865».
A esta família «de Cunha», concedeu D. Afonso IV, por carta de 30 de Dezembro de 1342, a jurisdição civil e criminal de Tábua – concessão confirmada por D. João I a 03 de Maio de 1392.
Posteriormente, o concelho de Tábua substituiu e englobou os extintos concelhos de Candosa (extinto em 1840 e anexado ao de Midões), de Midões (extinto em 1853, principalmente devido aos crimes de que foi acusado João Brandão), de Ázere e de Sinde.
Actualmente, e devido à reorganização administrativa do território das freguesias (Lei n.º 11-A/2013 de 28 de Janeiro), o concelho de Tábua passou a compreender 11 freguesias: União de Freguesias de Ázere e Covelo, Candosa, Carapinha, União de Freguesias de Covas e Vila Nova de Oliveirinha, União de Freguesias de Espariz e Sinde, Midões, Mouronho, Póvoa de Midões, União de Freguesias de Pinheiro de Côja e Meda de Mouros, São João da Boa Vista e Tábua.
No que se refere à toponímia, recentes investigações e publicações têm advertido para o facto da derivação do nome Tábua, até então associado a uma ponte de tábuas sobre o rio Mondego na altura da formação do Condado Portucalense, poder ter, afinal, uma outra origem.
Por um lado, o topónimo Tábua poderá ter origem no latim vulgar tabula, “tábua”, talvez no sentido de região plana , o que, numa primeira análise parece ter algum fundamento, dado o concelho de Tábua se circunscrever no denominado Planalto Beirão. No entanto, a toponímia portuguesa tem demonstrado que em locais onde existiram pontes de madeira, o costume foi o de passarem a chamar-se de Ponte de…, Pontão ou até mesmo Barca, mas não Tábua.
Por outro lado, é também possível fazer derivar a toponímia relativa a Tábua do deus romano Tabudico, nome que se inscreve numa ara votiva, actualmente em depósito na Instituto de Arqueologia da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, e na qual se lê: TABUDICO / c. FABIVS. VIATOR / L. A. D. D.
Por último, Tabua é também o nome comum da Typha angustifolia , planta herbácea, aquática ou semiterrestre com rizoma, que existe em terrenos pantanosos, lagoas e cursos de água. É uma planta que invade águas baixas provocando rápidas obstruções. Resta dizer que esta planta é bastante comum nas nossas margens do Mondego, e que, poderá estar também na origem do topónimo Tábua.
Localizado entre terrenos de serra (Estrela, Lousã, Buçaco e Caramulo), o que lhe confere uma cota acentuadamente planáltica, o Concelho de Tábua pertence ao que a última classificação que delimitou as unidades territoriais determinou designar através da nomenclatura Comunidade Intermunicipal – Região de Coimbra. É, pois, uma porta aberta para uma região plena de contrastes.
O seu aspecto planáltico esconde uma densa rede de vales abertos por rios e ribeiros, conferindo à paisagem uma beleza ímpar e a possibilidade de visitar vários locais de interesse, como a Pedra da Sé, o Penedo Cabana ou os diversos moinhos que se estendem ao longo do leito dos rios que o atravessam.
Por outro lado, o Concelho apresenta um vasto património arquitectónico constituído por pelourinhos, solares, edifícios de culto e outros edifícios onde impera o granito, assim como um rico património arqueológico e vestígios deixados pela civilização romana.
A gastronomia constitui outro atractivo de enorme importância nesta região beirã, onde sobressaem o queijo, de pertença à Região Demarcada Serra da Estrela. À mesa podemos apreciar o cabrito assado, a chanfana e o buxo, a excelente broa de milho, tudo regado com um bom vinho do Dão, Região Demarcada à qual pertence também o Município de Tábua.
Também o clima, ameno e relativamente temperado, permite que o solo seja bastante produtivo, possibilitando a prática agrícola de várias culturas.
Hoje, a aposta em estruturas turísticas de bem comum, assim como várias actividades de produção, começa a dar vazão ao desenvolvimento deste Município.



Fonte: Câmara Municipal da Tábua


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